quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Dar tudo o que temos



O homem que estava atrás do balcão olhava a rua de forma distraído.
Uma menina aproximou-se da loja e encostou o narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objecto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turqueza azul.
- É para minha irmã. Pode fazer um embrulho bonito? - perguntou ela.
O dono da loja olhou desconfiado para a menina e perguntou-lhe:
- Quanto dinheiro é que tens?
Sem exitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão, e feliz disse:
- Isso não chega?
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
- Sabe, – continuou – eu quero dar este presente para a minha irmã mais velha. Desde que morreu a nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É o aniversário dela e tenho a certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos seus olhos.
O homem foi para o interior da loja. Colocou o colar num estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
- Toma! Disse para a menina. Leva com cuidado.
Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia, quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis entrou na loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim senhora.
- E quanto custou?
- Ah! disse o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidêncial entre o vendedor e o cliente.
A rapariga continuou:
- Mas minha irmã somente tinha algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para o pagar.
O homem pegou no estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar: ELA DEU TUDO O QUE TINHA…
O silêncio encheu a pequenha loja, e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequenho embrulho.

1 comentário:

  1. A verdadeira doação é doar-se por inteiro, sem restrições. A gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.

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