Pode parecer prosaico e até ofensivo o título desta reflexão, mas é a linguagem a que habitualmente recorremos quando não queremos ser incomodados por nada ou por ninguém.
Se na boca de Abraão é colocada uma linguagem cautelosa e doseada, com receio de desencadear uma reacção violenta da parte de Deus e a sequente destruição de Sodoma e Gomorra, já no Profeta Isaías (cap. 7º) é o próprio Deus que reage à recusa de Acaz em ‘chatear’ Deus com os seus pedidos. E a resposta de Deus é: “eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, a quem será posto o nome de Emanuel”.
E a razão para a afirmação de hoje está exactamente aí: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único”, o qual foi enviado “não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo. 3). E qual é o pai que se chateia com o(s) seu(s) filho(s), mesmo que preferisse não ser incomodado por ele(s)? S. Paulo recordava-nos, na segunda leitura, o quanto Deus fez por nós, o preço que pagou para nos “fazer voltar à vida com Cristo”.
Por isso, também cada um de nós pôde fazer sua a afirmação do refrão do Salmo Responsorial: “Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor”, não significando que somos sempre atendidos no que pedimos, quando pedimos e como pedimos, mas “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lhe pedem”.
Foi por isso que o próprio Cristo nos ensinou nova maneira de rezar, a rezar ao seu jeito. Com efeito, a novidade do “Pai Nosso” tem sobretudo a ver com esta nova atitude perante Deus, que brota de O reconhecermos como um Pai que se antecipa aos nossos pedidos, pois bem sabe do que precisamos.
De facto, o apelo de Jesus, no evangelho, a uma oração confiante e perseverante, tem por finalidade tornar-nos parecidos com o nosso Pai do Céu, que dará em abundância do seu Espírito Santo àqueles que Lhe rezam. Rezar, mais que pedir ou dizer a Deus aquilo que nos faz falta, é abrir-se à sua presença e aceder à sua intimidade para sintonizarmos com Ele o nosso coração, a nossa inteligência e a nossa vontade.
Por isso, o ‘Pai Nosso’, mais que simples oração, é, acima de tudo, o programa para a nossa vida de cristãos! Esta, de facto, não se mede pelo número de ‘Pai Nossos’ rezados em cada dia, mas pela sua influência no nosso ser e no nosso agir. Vale, pois, a pena revermos também a forma de rezar o “Pai Nosso”, para não parecer o contrário do que dizemos.
Pe. José de Castro Oliveira
sábado, 24 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Missão em Tempo de Férias

Ousar sair à Rua
A Missão não tem férias, mas as férias são um excelente tempo de Missão. É esta a experiência de muitos cristãos nos últimos anos. Se durante o ‘chamado’ ano lectivo, a pastoral que se faz é muito estruturada (catequeses, celebrações, calendários de movimentos e grupos…), as férias são um espaço criativo por excelência. Sair à rua, montar uma tenda na praça ou na praia, organizar campos de férias ou ATL com crianças e jovens, percorrer as famílias ou os lares de idosos para encontrar e animar os mais velhos, lançar eventos de maior envergadura como o Festival Jota…enfim, é abrir, de para em par, as portas ao Espírito que quer rasgar caminhos novos à Evangelização de um velho continente, muitas vezes já cristalizada nas formas de pôr as pessoas e as comunidades em relação com Deus.
A Missão em tempo de férias obriga os cristãos a perder a vergonha, a sair à rua para anunciar aquilo em que acreditam, ou melhor, Aquele em quem acreditam, Jesus Cristo e o seu Evangelho libertador. É uma missão fora da Igreja e do adro, lá onde as pessoas estão. Exige mais coragem, mais criatividade, mais mobilidade, mais encontro, mais partilha de vida, mais testemunho.
Para lá do adro...
Este verão estarei (como sempre) em Missão. Não deixarei o país, como o tenho feito com frequência, mas a Missão será cá dentro, acompanhado por jovens. Fico feliz por ter cerca de uma centena de Jovens Sem Fronteiras que decidiram fazer das suas férias um tempo de Missão. As Semanas Missionárias (de dez dias) que vamos viver colocam-nos ao ritmo das populações que nos acolhem. Vamos fazer caminho com elas, rezar, cantar e dançar. Vamos visitar reclusos num estabelecimento prisional; vamos fazer animação de rua; vamos colaborar na animação de festas dos padroeiros; vamos lançar concursos que envolvam crianças e jovens; vamos visitar lares de pessoas idosas e outras instituições de solidariedade social; vamos estar ao serviço das paróquias para o que elas acharem mais útil; vamos espalhar pela comunidade a alegria destes jovens que se assumem como cristãos.
Tony Neves, missionário espiritano in Agência Ecclesia
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