sábado, 11 de setembro de 2010

Em construção


Era uma vez um pai que estava continuamente a ser incomodado pelo seu filho.
Para o distrair, arrancou de um velho atlas de geografia uma folha onde estava desenhado e pintado o mapa - mundo: todas as nações da terra com as cidades mais importantes.
Pegou numa tesoura, desfez o mapa em pedaços e entregou-os ao seu filho para que compusesse ele o puzzle improvisado. O pai pensava: «Demorará muito tempo e ficará entretido sem me aborrecer!»
Passados poucos minutos, regressa a criança com todas as peças no seu sítio exacto. O pai, admirado, perguntou-lhe:
- Como é que conseguiste pô-lo em ordem tão depressa?
Respondeu a criança:
- Muito simples, pai. No verso estava desenhado um homem. Primeiro reconstrui o homem. E assim o mundo ficou automaticamente ordenado.

(G. Negri)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Inocente/Culpado


Conta uma lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor do crime era uma pessoa influente no reino e, por isso, desde o primeiro momento, procurou-se um bode espiatório para incobrir o verdadeiro assassino.

O homem injustamente acusado de ter cometido o assassinato foi levado a julgamento. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas hipóteses de sair imune das falsas acusações.

O juiz, que também estava conluiado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência.

Disse o desonesto juiz:

Como o senhor, sou um homem profundamente religioso. Por isso, vou deixar a sua sorte nas mãos de deus. Vou escrever num papel a palavra INOCENTE noutro a palavra CULPADO. Você deverá pegar apenas num dos papéis. Aquele que você escolher será o seu veredicto.

Sem que o acusado percebesse, o inescrupuloso juiz escreveu nos dois papéis a palavra CULPADO, fazendo, assim, com que não houvesse alternativa para o homem. O juiz, então, colocou os dois papéis numa mesa e mandou o acusado escolher um. O homem, pressentindo o embuste, fingiu concentrar-se por alguns segundos a fim de fazer a escolha certa. Aproximou-se confiante da mesa, pegou num dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e engoliu-o. Os presentes reagiram surpresos e indignados com tal atitude.

O homem, mais uma vez demonstrando confiança, disse:

Agora basta ver o papel que se encontra sobre a mesa e saberemos que engoli aquele em que estava escrito o contrário.