sábado, 24 de julho de 2010

17º Domingo do Tempo Comum

Pode parecer prosaico e até ofensivo o título desta reflexão, mas é a linguagem a que habitualmente recorremos quando não queremos ser incomodados por nada ou por ninguém.

Se na boca de Abraão é colocada uma linguagem cautelosa e doseada, com receio de desencadear uma reacção violenta da parte de Deus e a sequente destruição de Sodoma e Gomorra, já no Profeta Isaías (cap. 7º) é o próprio Deus que reage à recusa de Acaz em ‘chatear’ Deus com os seus pedidos. E a resposta de Deus é: “eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, a quem será posto o nome de Emanuel”.

E a razão para a afirmação de hoje está exactamente aí: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único”, o qual foi enviado “não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo. 3). E qual é o pai que se chateia com o(s) seu(s) filho(s), mesmo que preferisse não ser incomodado por ele(s)? S. Paulo recordava-nos, na segunda leitura, o quanto Deus fez por nós, o preço que pagou para nos “fazer voltar à vida com Cristo”.

Por isso, também cada um de nós pôde fazer sua a afirmação do refrão do Salmo Responsorial: “Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor”, não significando que somos sempre atendidos no que pedimos, quando pedimos e como pedimos, mas “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lhe pedem”.

Foi por isso que o próprio Cristo nos ensinou nova maneira de rezar, a rezar ao seu jeito. Com efeito, a novidade do “Pai Nosso” tem sobretudo a ver com esta nova atitude perante Deus, que brota de O reconhecermos como um Pai que se antecipa aos nossos pedidos, pois bem sabe do que precisamos.

De facto, o apelo de Jesus, no evangelho, a uma oração confiante e perseverante, tem por finalidade tornar-nos parecidos com o nosso Pai do Céu, que dará em abundância do seu Espírito Santo àqueles que Lhe rezam. Rezar, mais que pedir ou dizer a Deus aquilo que nos faz falta, é abrir-se à sua presença e aceder à sua intimidade para sintonizarmos com Ele o nosso coração, a nossa inteligência e a nossa vontade.
Por isso, o ‘Pai Nosso’, mais que simples oração, é, acima de tudo, o programa para a nossa vida de cristãos! Esta, de facto, não se mede pelo número de ‘Pai Nossos’ rezados em cada dia, mas pela sua influência no nosso ser e no nosso agir. Vale, pois, a pena revermos também a forma de rezar o “Pai Nosso”, para não parecer o contrário do que dizemos.

Pe. José de Castro Oliveira

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